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A cor da roupa altera a percepção do tom da pele

É comum ouvirmos o comentário “você fica muito bem com essa cor!”, mas sabemos que usar determinadas cores, ainda que estejam na moda, pode ser uma tarefa difícil.

Antes de me dedicar ao estudo das cores, eu sentia grande dificuldade em usar uma roupa cor de laranja que tinha no meu guarda-roupas. Embora apreciasse o tom de laranja e a modelagem da blusa, não conseguia sair com ela, pois toda vez que a experimentava me sentia abatida –  simplesmente   a cor não me caia bem.

Afinal, a cor da roupa realmente interfere no tom da pele?

Os estudos neurocientíficos do sistema visual humano mostram que possuímos uma enorme capacidade de adaptação aos contrastes de cor e intensidade de luz, e nos levam a compreender porque a mesma cor pode amarelar ou empalidecer um determinado tom de pele, e favorecer outro.

Normalmente os tons de pele correspondem a nuances que tendem para o bege amarelado, para os marrons (mais ou menos dessaturados)  ou para os tons de rosa e pêssego. A cor da roupa não muda concretamente a nossa pele, mas pode alterar significativamente a percepção desse tom.   Tanto as peles claras como as mais escuras variam em tonalidades que podem parecer mais cinzentas, amareladas, excessivamente rosadas ou pálidas, dependendo dos contrastes que estabelecem com a roupa que vestimos. Uma mudança radical na cor do cabelo, por exemplo, também altera a aparência da pele, favorecendo ou desfavorecendo seu aspecto saudável.

Logo depois que concluí a pesquisa de mestrado na USP, sobre as teorias da cor aplicadas ao ensino do design¹, me interessei também pela consultoria cromática direcionada à imagem pessoal.

A maioria das avaliações praticadas por consultores de imagem e estilo apoia-se na teoria das quatro estações, que classifica os indivíduos em quatro categorias:  Inverno, Primavera, Verão e Outono. Este método, conhecido como “análise sazonal”, criado na década de 1950 por Suzanne Caygill, uma estilista californiana, parte do princípio de que a natureza guarda em si uma fórmula para a harmonia de cores que se reflete nas 4 estações do ano, e que  se   relaciona com a  coloração natural, personalidade e estilo dos indivíduos.  Assim, nesta linha de análise, os pigmentos da pele, cabelo e olhos  determinam se um indivíduo é do tipo Inverno, Primavera, Verão ou Outono, aconselhando-o a encontrar nas paletas destas estações as cores que naturalmente estão em harmonia com a sua essência.  O método sazonal de análise de cores é praticado ainda hoje, contando com variações e subclassificações das 4 tipologias básicas, que resultam no método sazonal expandido.

A minha linha de pesquisa das cores busca compreender o fenômeno da cor através de outra abordagem:  por meio do estudo dos contrastes e da percepção visual, à luz da  neurociência (neurobiologia dos sistemas visuais) e de teorias da percepção e dos processos de significação (semiótica). Assim, em meu método de avaliação de cores na estética pessoal, procuro não classificar os indivíduos em categorias, mas detectar a dinâmica dos seus contrastes – pele, olhos e cabelo -, verificando as cores que realçam seus tons naturais e aquelas que são prejudiciais (contrastes que destacam tons amarelados ou cinzentos na pele). Não acredito na correspondência entre temperamentos e biotipos, que está na base da concepção do método sazonal. Ou seja, nem todos que nascem com pele clara e rosada, olhos e cabelos escuros,  têm necessariamente as mesmas características de comportamento, personalidade ou predileção de cores. Pelo contrário, ainda que as pessoas que compartilhem esse biotipo possam vestir cores frias e intensas sem prejuízo para o aspecto saudável de sua pele, é preciso ter maior flexibilidade na recomendação de cores, já que algumas delas gostarão de mais contraste que outras, ou de cores menos intensas, e assim por diante. A meu ver, é importante considerar cada caso em todas as suas particularidades e proceder a analise dos contrastes da forma mais objetiva possível, sem forçar uma classificação que limitará as suas opções a um número reduzido de opções.

Veja algumas fotos do curso “A COR na estética pessoal”, frequentado por consultoras de imagem. Neste curso, que eu ministro no Universo da Cor em São Paulo, procuro orientar minhas alunas a observar mais e classificar menos. Dessa forma, é possível constatar os casos de peles neutras, que resistem à classificação pelo método sazonal.

A avaliação de cores na estética pessoal deve partir, portando, do conjunto natural das cores de cada indivíduo (pele, olhos e cabelo), sem a necessidade de classificá-lo e impor uma paleta de cores pré-definida (pelo método sazonal, ou sazonal expandido). Além disso, é preciso respeitar preferências de estilo e imagem, ou seja, se uma pessoa de pele rosada (que se beneficia com tons frios) tem preferência por tons quentes, precisamos ajudá-la a usar o que gosta sem prejudicar a aparência da sua pele, indicando estampas que combinam tons frios e quentes, maquiagem apropriada e peças de roupa e acessórios em que esses tons afetarão menos o aspecto saudável da sua pele.

gnt
Mariana Weickert em entrevista filmada no Universo da Cor para o canal GNT

Com o propósito de oferecer dicas de moda aos assinantes do canal GNT, a equipe do programa Vamos Combinar de Mariana Weickert veio ao Universo da Cor e fez uma entrevista comigo em 2010. Nesta entrevista, que foi ao ar na semana seguinte, eu falo rapidamente sobre a diferença básica entre harmonias de cores quentes e frias, mostrando tecidos em tonalidades adequadas para cada caso. Ainda é possível assistir ao vídeo da entrevista que ficou arquivado no site da GNT (clique aqui!)

Se você se interessou pelo assunto, confira o curso “próximo curso?  

A COR na estética pessoal
com Lilian Red Miller

no Universo da Cor, em São Paulo, SP.
próxima data e conteúdo

 

+ Informações:
tel   11 2537-3804
ou através do site www.universodacor.com.br/curso-cor-na-estetica-pessoal/

Veja mais fotos deste curso: A COR na estética pessoal – turma junho/2013

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Nota:

1 – BARROS, Lílian Ried Miller (2001) A cor na Bauhaus: teorias e metodologias didáticas e a influência da doutrina de Goethe. Dissertação de Mestrado, Orientação: MONZEGLIO, Élide. Obs.: esta dissertação de mestrado desenvolvida na FAU-USP gerou o livro, publicado em 2006 pela Ed. Senac, “A cor no processo criativo”, hoje em sua quarta edição, e adotado como bibliografia fundamental em cursos sobre composição de cores por diversas instituições de ensino no Brasil.

Cursos e workshops!

A sensação da cor: um presente da evolução

A todo momento somos estimulados por cores e contrastes que configuram as imagens à nossa volta. Reconhecemos desde paisagens naturais e ambientes construídos até composições virtuais nas telas dos aparelhos eletrônicos.

cor

Tanto nos cenários reais quanto nos virtuais, a percepção visual dos espaços, dos objetos e das próprias pessoas é deter-minada pela presença da luz.
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Nossas retinas, que são camadas de células sensíveis à luz presentes em nossos olhos, identificam cores em diversas nuances de claridade. Nos cenários reais a luz captada pela retina é refletida pelas superfícies dos corpos, nas telas eletrônicas a imagem resulta da emissão direta de luzes coloridas.

As cores não só acrescentam informação à percepção do nosso habitat, como também constituem um estímulo vital. Para uma pessoa com visão normal, a subtração das cores dos objetos, dos alimentos e dos seres vivos induz à tristeza, monotonia e falta de interesse. Em determinados contextos, a falta de cor  pode sugerir um ambiente insípido, uma face apática ou mesmo a morte.

Um simples dia nublado, ao filtrar a luz solar, reduz a intensidade das cores e contrastes. Esse efeito já é suficiente para que muitas pessoas se sintam desmotivadas ou até deprimidas. Ouvimos muito falar sobre a influência isolada de cada cor, mas o que realmente conta não é o efeito de cada cor isoladamente, e sim a composição de todos os tons de um cenário, a forma como estão distribuídos no espaço e os contrastes que foram criados. Ambientes com fortes contrastes de cor e claridade nos deixam mais despertos e apreensivos, já que a percepção das diferenças constitui o nosso maior interesse neurobiológico. Por outro lado, contrastes sutis induzem, com maior efeito, ao relaxamento. 

Nos cursos do Universo da Cor (www.universodacor.com.br) o meu principal objetivo é fazer com que os alunos entendam com profundidade as leis neurobiológicas que regem a nossa percepção visual. Através de exercícios com o Kit Projetando com a COR eles experimentam combinações de cores e compreendem a relação entre os contrastes para poderem projetar com mais segurança e compor cenários prazerosos e criativos. Sem estabelecer regras para a combinação de cores, a proposta didática é ampliar as possibilidades associativas entre as tonalidades, compreendendo sua interação, seja na reflexão cromática de um projeto gráfico, arquitetônico, ambiental ou industrial. 

Curso Projetando com a COR, Universo da Cor, set.2012
Curso Projetando com a COR, Universo da Cor, set.2012

A sensação da cor é um presente da evolução. Ou seja, é uma capacidade que resulta de um longo processo evolutivo. “Grande parte dos mamíferos não enxerga as cores, ou melhor, não as diferencia. Eles possuem apenas o sistema visual denominado pela neurobiologia como “where system” (sistema onde), especializado na percepção de luz e sombra e nas construções de movimento, espaço, posição, profundidade, distinção figura-fundo e organização global da cena visual. Já o “what system” (sistema o quê) – sistema de informação visual associado à distinção das cores –, que é bem desenvolvido nos primatas e em nossa espécie, formou-se a partir de um processo evolutivo mais recente que se sobrepôs ao primeiro (sistema onde), conferindo-nos também a capacidade de distinguir os comprimentos de ondas, reconhecendo cores e objetos (incluindo rostos). Esses dois sistemas visuais paralelos extraem informações distintas do ambiente e constroem, em diversas áreas especializadas do nosso cérebro, todas essas dimensões do visível.”¹
Em 
“A escalada do monte improvável”², uma defesa da teoria da evolução, Richard Dawkins dedica um capítulo aos vários caminhos evolutivos do olho, mostrando as suas diferentes funções e características. Ele faz, por exemplo, uma interessante comparação entre o olho facetado de um inseto e o olho humano. O olho do inseto, embora apto à percepção da luz ultravioleta, que é invisível para nós, ocupa uma área enorme da cabeça, detecta com eficiência os movimentos, permitindo ao seu portador uma varredura de quase 360 graus – o que torna facilita a fuga destes pequenos seres ao menor sinal de mudança no cenário. Os olhos humanos, por sua vez, sem a visão abrangente do inseto, restringem-se a uma visão frontal; mas especializaram-se para a percepção da profundidade e para o reconhecimento de objetos e rostos com grande acuidade. 

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As cores constituem uma sensação que dividimos com algumas outras espécies, como os peixes, pássaros e insetos, além dos primatas. O que nos faz pensar que, para além das sua funções biológicas, são uma fonte de prazer visual que temos o privilégio de desfrutar!

1 – BARROS, Lilian Ried Miller. “A cor inesperada: uma reflexão sobre os usos criativos da cor”. Tese de Doutorado/ Área de concentração: Design e Arquitetura – FAU USP (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo. Orientador: Silvio Melcer Dworecki. São Paulo, 2012.

2 – DAWKINS, Richard. “A escalada do monte improvável”, tradução Suzana Sturlini Couto, Ed. Companhia das Letras, São Paulo: 1998.

Cursos e workshops!, estamparia, Moda

Processos atuais de estamparia e beneficiamento têxtil

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Os processos atuais de estamparia em tecidos apresentam diferentes relações de custo-benefício para a obtenção de diferentes resultados de impressão.

Conhecer as técnicas e identificar os processos adequados para a elaboração de produtos específicos é fundamental para quem trabalha na área de moda, design têxtil e confecção. Mesmo para quem não atua diretamente na fabricação dos tecidos, é importante aprender a reconhecer nas amostras de tecidos estampados todas as técnicas e etapas de produção que caracterizam os beneficiamentos.

Para atender aos profissionais da moda, estilistas e interessados que estão ingressando no universo da estamparia e buscam uma especialização, o Universo da Cor oferece o curso “Estamparia: os processos de beneficiamento têxtil“, que traz um panorama das técnicas produtivas, mostrando o valor agregado do design de estampas e explicando os recursos para a obtenção de diferentes padronagens, efeitos e acabamentos.

Com Wesley Paixão, químico e tecnólogo têxtil.

Quando haverá uma próxima turma?  

Consulte a página do curso no site do Universo da Cor:

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Estamparia: os processos de beneficiamento têxtil
curso com Wesley Paixão
no Universo da Cor, em São Paulo
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