Testes de cor

Sua visão distingue bem as cores?

O sistema visual humano é complexo. Nos permite discernir cores e luminosidade para a construção das sensações de espaço, movimento e reconhecimento de formas, rostos e objetos¹.

Usamos o termo ‘matiz’ quando queremos nos referir apenas à percepção das cores, independente da luminosidade ou grau de claridade. Separar matizes próximos é uma tarefa bem mais difícil do que se imagina a princípio.

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Detalhe do Teste de Munsell (versão online)

Distinguir apenas os matizes acaba se tornando um verdadeiro desafio visual já que nossos olhos estão acostumados a associar as tonalidades coloridas às diferenças de claridade. Tanto é verdade que mesmo cores vivas, como amarelo e laranja, apresentam diferenças de claridade. O tom de laranja vivo (saturado) é mais escuro que o amarelo, o que facilita a distinção entre estas cores. Mas quando tons próximos de verde, azul e violeta apresentam a mesma luminosidade, como na imagem acima, a sua identificação e ordenação exige maior esforço.

Teste de Tonalidades Farnsworth-Munsell 100

Para medir a nossa acuidade visual na distinção dos matizes contamos com o teste de Tonalidades Farnsworth-Munsell 100, desenvolvido há mais de 40 anos pelo americano Albert Henry Munsell (1858-1918), famoso pela criação do seu Sistema Cromático (Munsell Color System) – referência internacional para o controle de cores (colorimetria). 

Utilizado por diversos setores e especialmente na indústria gráfica, além de classificar o grau de acuidade visual das pessoas para a distinção de cor, o teste de Munsell  identifica deficiências visuais como o daltonismo.

A versão física original desse teste consiste em 4 réguas e 85 peças coloridas removíveis. O teste avalia a capacidade da pessoa em ordenar as peças coloridas na sequência correta. Segundo a X-Rite, empresa fabricante do teste Farnsworth-Munsell 100o mesmo deve ser administrado sob condições de iluminação que atendam a um padrão próximo à luz do dia, reproduzível em cabines especializadas. “O teste classifica as pessoas com visão de cor normal nos graus de superior, média e baixa habilidades de discriminação de cores e para medir as regiões de confusão de cor no caso de pessoas com anomalias nesta característica.”

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Versão física do Teste de Tonalidades de Farnsworth-Munsell 100, oferecido pela X-Rite

Há uma versão online simplificada do teste Farnsworth-Munsell 100, que podemos acessar gratuitamente no site da X-Rite. Esta versão não oferece o mesmo rigor do teste oficial, já que existem diferença na configuração e resolução dos monitores.

Mas vale a pena conferir: http://www.xrite.com/online-color-test-challenge

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Versão online do Teste de Munsell baseada no teste oficial FM100 Hue Test da X-Rite

Nota:

¹Leia + sobre percepção da cor:

1) A sensação da cor: um presente da evolução

2) A materialidade da cor na obra de Taisa Nasser

estamparia, Inspiração, Moda, tingimento de tecidos

Inspire-se com o Tie-dye!

Quando pensamos no tie-dye, são recorrentes aqueles efeitos multicoloridos em camisetas, formando uma mandala. Mas esse resultado simples e já banalizado não corresponde aos sutis e refinados efeitos visuais que esta arte milenar de tingimento de tecidos nos oferece. As amarrações do tecido e as cores escolhidas oferecem múltiplas possibilidades.
É possível usar a técnica do tie-dye com criatividade e bom gosto.

O cardigan da Dolce & Gabbana, que mostramos a seguir é um exemplo de como a escolha das cores faz a diferença.

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Fonte: http://www.bergdorfgoodman.com/product.jsp?itemId=prod37510006

O tie-dye é um recurso da moda que proporciona aos produtos um aspecto natural e que pode sempre ser utilizado de forma renovada. A imagem hippie do tie-dye dos anos 60 foi totalmente revista, trazendo originalidade às peças de roupa e atraindo um público refinado.

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Fonte: http://www.zmalfashion.com/2011/07/tie-dye-on-trend.html
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Fonte: http://main.stylelist.com/2010/05/17/how-to-wear-tie-dye-spring-2010/
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Fonte: http://www.asos.com/Textile-by-Elizabeth-James/
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Fonte: http://www.asos.com/

A sofisticação está muitas vezes na redução da gama de cores e nos efeitos livres do tingimento.

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Fonte: http://www.net-a-porter.com/

No exemplo a seguir o que chama a atenção é a combinação harmoniosa do tie-dye com uma estampa floral:

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Fonte: http://prudentbaby.com/2012/06/baby-kid/accessories/tie-dye-summer-tote/

A técnica do tie-dye quando aplicada em tecidos mais densos é menos usual oferecendo um outro apelo estético, como vemos na saia abaixo.

Fonte:
Fonte: http://www.net-a-porter.com/product/105342

Um efeito localizado, pode ser interessante para peças de confecção, como barrados em saias, batas ou calças.

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Fonte: http://poshmark.com/listing/52000b65c712457b46015ac7

+ Veja outro post relacionado à técnica do tie-dye: “Os segredos do Tie-dye

O curso “As Técnicas do Tie-dye” acontece regularmente (ao menos 1 vez por semestre) no Universo da Cor em São Paulo-SP. É ministrado pelo  Prof. Wesley dos Santos Paixão, tecnolólogo têxtil com especialização em química têxtil.

No curso os participantes aprendem a utilizar e dosar os corantes e fixadores mais adequados para os efeitos desejados, compreendendo com propriedade as reações químicas e as etapas de tingimento e acabamento para três processos de Tie-dye: 1 – Tradicional a frio, 2 – Tradicional a quente e 3 – Clássico, ou contrário. Também são demonstradas e praticadas pelos alunos as dobras e amarrações nas peças de roupa para efeitos estampados variados, como círculos, listras, degradês, etc.

Esta é uma oportunidade única não apenas para aqueles que desejam reciclar e confeccionar peças exclusivas para o próprio uso, como também para a exploração das técnicas do Tie-dye pelos profissionais da moda, donos de confecções, estilistas e designers.

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Banner de divulgação do curso “As técnicas do Tie-dye“, Universo da Cor / SP