A cor na arte, A cor nos ambientes internos, Cursos e workshops!

Próxima sexta, sábado e domingo: curso e workshop no Universo da Cor!

Últimas vagas para o curso Projetando com a COR e o Workshop Círculo Cromático que acontecem no próximo fim de semana, no Universo da Cor em São Paulo!

Curso Projetando com a COR, com Lilian Ried Miller Barros, no Universo da Cor, SP.
Curso Projetando com a COR

Frequentados por arquitetos, designers, ilustradores, artistas gráficos e interessados nos efeitos das cores e seus contrastes, estes cursos acontecem apenas duas vezes ao ano, em edições exclusivas oferecidos pelo Centro de Estudos e Pesquisas sobre as Cores – Universo da Cor, na Rua Afonso de Freitas, bairro Paraíso, São Paulo.

Workshop Círculo Cromático / Universo da Cor - out/2013
Workshop Círculo Cromático

Uma imersão de 2 dias nas cores e nos mecanismos do sistema visual humano, que leva os participantes a explorarem as combinações evitando desconforto visual.

Saiba mais sobre estes e os próximos cursos sobre cores ministrados por Lilian, no Universo da Cor em São Paulo-SP:

Projetando com a COR
Carga horária 12h/aula

Próxima turma: 28 e 29 de out/2016
sexta das 9 às 18h e sábado das 9 às 13h

Workshop Círculo Cromático
Carga horária 7h/aula

Próxima turma: 30 de out/2016
domingo, das 9 às 13h e das 14 às 17h

Workshop de ilustração com COPIC
Carga horária 7h/aula

Próxima turma: 5 de nov/2016
sábado, das 9 às 12h e das 13 às 17h

Curso A COR nos ambientes internos
Carga horária 14h/aula

Próxima turma: 18 e 19 de nov/2016
sexta das 9 às 18h e sábado das 9 às 13h

A cor na arte

28º Prêmio Design Museu da Casa Brasileira

No início deste mês fiquei muito feliz com uma ligação do Museu da Casa Brasileira, informando que a minha tese de doutorado havia sido selecionada e está entre os finalistas do 28º Prêmio Design. Defendida em 2012 na FAU USP, A cor inesperada: uma reflexão sobre os usos criativos da cor¹é o suado resultado da minha pesquisa de doutorado, que teve a orientação desafiadora do querido Silvio Dworecki.

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Capa da minha tese e cartaz de divulgação do 28º Prêmio Design Museu da Casa Brasileira

O Museu da Casa Brasileira, renomada instituição cujo prêmio incentiva o design nacional, recebeu nesta 28ª edição mais de oitocentas inscrições de projetos, em oito categorias do design: mobiliário, utensílios, iluminação, têxteis, equipamentos eletroeletrônicos, equip. de construção, equip. de transporte, trabalhos escritos publicados, além de suas modalidades protótipos e trabalhos escritos não publicados.

Para a avaliação foram estabelecidas duas comissões independentes, com coordenação de Marcos da Costa Braga para os trabalhos teóricos, e com João Bezerra de Menezes para os produtos. Integraram o juri 52 profissionais de formações diversas, ligados ao design e à arquitetura, pertencentes à indústria, universidades e escritórios de projeto, que tiveram como desafio eleger em duas fases o melhor do atual design nacional, selecionando os 64 finalistas que participam desta exposição.

O conteúdo completo sobre os premiados e os finalistas será divulgado no próximo dia 27 de novembro (QUINTA), às 19h30, na cerimônia que homenageia os participantes e marca o coquetel de abertura da exposição, com o resultado de 2014.²

A entrada é franca e aberta ao publico. Fica aqui a dica e o convite para quem quiser conferir as inovações do design nacional!

Endereço: Av. Brig. Faria Lima, 2705 São Paulo SP – tel (11) 3032-3727
www.mcb.org.br

Nota 1: Este trabalho ainda não foi publicado. Em 2006, um outro trabalho meu – A cor no processo criativo – também ficou entre os finalistas do Prêmio Design. Este último, publicado pela Editora Senac-SP, pode ser encontrado nas principais livrarias ou adquirido no site do Universo da Cor (clique aqui para acessar a página do livro).

Nota 2: No dia 28 de novembro, às 19h, João Bezerra de Menezes e integrantes da comissão julgadora (Artur Mausbach, Cristiane Aun, Fernando Bottene, José Renato Kehl, José Roberto Calejo, Marco Túlio Boschi, Mônica Moura, Robinson Salata, Sergio Casa Nova e Vitor Penha) recebem o público para uma visita especial à mostra 28º Prêmio Design MCB. O 2º Encontro com o júri apresenta o ponto de vista da comissão sobre os trabalhos eleitos e o design brasileiro nesta edição.

A cor na arte, a cor na estamparia, Cursos e workshops!, Desenho e ilustração

Ontem, no Workshop de ilustração com Copic!

Publicaremos em breve as fotos do Workshop de ilustração com Copic que aconteceu ontem no Universo da Cor!
Teve até “modelo vivo”!

Para mais informações sobre o curso, acesse:
http://www.universodacor.com.br/cursos-e-eventos/73/programa/workshop-de-ilustracao-com-copic.html

A cor na arte, a cor na estamparia, Cursos e workshops!, Desenho e ilustração

Copic e seu sistema de cores para ilustradores, desenhistas e interessados!

O Workshop de ilustração com Copic acontece todo semestre, quase sempre num sábado, no Universo da Cor. Não perca a próxima turma, vagas limitadas!

Para quem não conhece a caneta Copic e seus recursos de coloração e criação para desenho profissional, haverá material à vontade para ser experimentado durante o curso, disponibilizado pelos representantes da caneta no Brasil. Serão propostos vários exercícios aos participantes para que todos possam testar as canetas com técnicas variadas de ilustração.

Workshop de ilustração com Copic no Universo da Cor

Quem já conhece a Copic, aprenderá tudo sobre o seu sistema cromático, esclarecendo dúvidas sobre como misturar as cores e obter efeitos impressionantes com diferentes técnicas e propostas de desenho, seja ele figurativo ou abstrato.

Técnicas e linguagens de ilustração, como mangás, motivos para estamparia e design de superfícies serão discutidas e apresentadas durante o curso, com demostração passo-a-passo.

Workshop de ilustração com Copic no Universo da Cor

Embora a caneta Copic já tenha conquistado um amplo mercado, composto por talentosos ilustradores, designers de superfícies e aficionados por quadrinhos, até agora não havia sido proposto um curso com embasamento teórico da cor. Atendendo à solicitação dos profissionais que frequentam os cursos do Universo da Cor, resolvemos oferecer essa opção mais completa, onde o aluno pode ter uma vivência das técnicas, sem perder de vista o amplo espectro cromático que a caneta possibilita, esclarecendo as dúvidas sobre como explorar as cores e misturá-las entre si.

Para mais informações e inscrição, acesse:
http://www.universodacor.com.br/cursos-e-eventos/73/programa/workshop-de-ilustracao-com-copic.html

Patrocínio:
Copic Brasil – www.copic.com.br

A cor na arte, Cursos e workshops!, Desenho e ilustração, estamparia

Falta pouco para o Workshop de ilustração! Reserve seu lugar!

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Workshop de ilustração com Copic, no Universo da Cor, em São Paulo.

 

Para mais informações, acesse:
http://www.universodacor.com.br/cursos-e-eventos/73/programa/workshop-de-ilustracao-com-copic.html

A cor na arte, Descanso para os olhos, Inspiração

Visita ao atelier de Tania Martins

Durante a nossa visita ao atelier de Tania Martins na semana passada, enquanto Marcelo Guanabara fotografava algumas coleções de têmpera e aquarela, eu tive a oportunidade de conhecer o enorme acervo desta pintora, com inúmeras obras que preenchem o espaço da sua casa e atelier: uma atmosfera colorida, envolvente e luminosa.

Resolvi mostrar algumas imagens aqui no Blog do Universo da Cor, para compartilhar um pouco dessa visita inspiradora com nossos amigos e leitores.

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Tania e Marcelo, separando as aquarelas que seriam fotografadas.

Logo ao entrar, uma de suas telas me chamou a atenção. Persistiu atraindo meu olhar, pela sutileza e leveza dos contrastes de cor. Depois, Tania me mostrou outros trabalhos pertencentes a esta bela coleção de pinturas à óleo.

Veja a baixo a tela que mencionei. Nela, a pintora trabalha as cores com profundidade, em camadas, deixando transparecer uma cor através de outra. O resultado é uma composição que nos convida a percorrer com o olhar os limites das formas, despertando o interesse por essas bordas, que ora revelam, ora escondem as primeiras camadas de cor.

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A seguir, no detalhe deste mesmo quadro, fica mais claro o que eu tentei explicar acima: um azul vivo pulsa por trás dos verdes e torna mais instigante a leitura das folhas.

A composição reúne tons saturados e brancos coloridos, resultando num delicado equilíbrio de contrastes que nos envolve e convida a contemplar.

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Mais algumas fotos da visita ao atelier de Tania Martins. Clique nas imagens para ampliar:

Agradeço à Tania, por este dia especial no seu atelier. Foi muito gostoso e inspirador!

Eu e o Marcelo ficamos realmente impressionados com o seu acervo e a qualidade do seu trabalho!

Tania Martins com Lilian Ried Miller Barros
Tania e eu (Lilian), no dia da visita.

 

Para mais informações sobre o trabalho de Tania Martins, acesse: www.tukamartins.com.br

 

A cor na arte

A materialidade da cor na obra de Taisa Nasser

por Lilian Ried Miller Barros¹

Texto criado para a exposição de Taisa Nasser em Berlim / Universo da Cor, São Paulo-SP / 27 de março de 2013

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PHARMAKON ATHANASIAS – Taisa Nasser

Graças à neurociência, a percepção da cor pode ser compreendida hoje no contexto amplo do sistema visual humano, envolvendo não apenas a primeira etapa de sensibilização da retina por sinais luminosos, mas também os processos cerebrais de construção das imagens e reconhecimento dos objetos². Essa perspectiva de análise da percepção da cor nos permite refletir sobre os efeitos visuais das obras de Taisa Nasser, concebidas em sua proposta artística intitulada “Lucidez”.

Nosso sistema visual constrói a sensação da cor por meio de complexos processos neurobiológicos. A cor é um fenômeno inerente ao olhar humano – informação essencial à nossa apreensão do mundo visível –, e é o resultado de um longo processo evolutivo. “Grande parte dos mamíferos não enxerga as cores, ou melhor, não as diferencia. Eles possuem apenas o sistema visual denominado pela neurobiologia como “where system” (sistema onde), especializado na percepção de luz e sombra e nas construções de movimento, espaço, posição, profundidade, distinção figura-fundo e organização global da cena visual. Já o “what system” (sistema o quê) – sistema de informação visual associado à distinção das cores –, que é bem desenvolvido nos primatas e em nossa espécie, formou-se a partir de um processo evolutivo mais recente que se sobrepôs ao primeiro (sistema onde), conferindo-nos também a capacidade de distinguir os comprimentos de ondas, reconhecendo cores e objetos (incluindo rostos). Esses dois sistemas visuais paralelos extraem informações distintas do ambiente e constroem, em diversas áreas especializadas do nosso cérebro, todas essas dimensões do visível.”³

Efeitos de vibração de cores e sensações de ilusão de ótica têm sido explorados em diversas correntes artísticas, basta lembrar os fauvistas (Matisse, Derain), a Op Art (Vasarely, Albers), ou mesmo Rothko. Essas sensações de cores que se desprendem da tela, vibram e resistem à localização espacial, provocando o engano dos sentidos, ocorre quando o sistema onde está inoperante, ou seja, quando não há diferença suficiente de luz e sombra entre as áreas de cor para ativar a nossa percepção de espaço, profundidade. “As estampas em cores saturadas da estética psicodélica nos anos 70, sugerindo movimento e efeitos visuais que remetiam aos efeitos alucinógenos, assim como a luminosidade incomum da pintura impressionista e pontilhista, são exemplos desses encontros de cor, que, desprovidos de contraste de luminância, provocam certa vibração.”³

Nas obras de Taisa Nasser a apreensão da cor não se desconecta da percepção do espaço. Suas “pinceladas” são porções de matéria que projetam sombras e revelam texturas, permitindo a percepção de volumes e ativando assim tanto o sistema o quê como o sistema onde. Ou seja, na presença simultânea das diferenças de cor e profundidade acionamos ao mesmo tempo a percepção espacial e o reconhecimento das cores, de maneira semelhante à contemplação de uma paisagem. No contexto visual dos seus quadros, a cor não é explorada em seus efeitos ilusórios como fizeram os movimentos artísticos comentados acima. Ao contrário, na obra de Taisa, a cor é tratada como substância – essência –, e percebida como parte integrante e indissociável da matéria, sensível e concreta. Neste sentido podemos falar de uma materialidade da cor em seu trabalho, que encontra ressonância no conceito de “Lucidez” proposto pela artista, já que o sistema visual é convocado de forma global ao captar cor e espacialidade no contexto da tela, promovendo uma compreensão visual “palpável”, despertando a clareza dos sentidos. Podemos apreciar esse efeito nas obras L’ASPIRATION A L’ABSOLUT II  que mostramos a seguir e PHARMAKON ATHANASIAS (imagem no início do texto).

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L’ASPIRATION A L’ABSOLUT II – Taisa Nasser

David Batchelor nos alerta para a existência, ainda que não declarada, de um desprezo ou medo da cor (cromofobia) persistente na cultura ocidental (4). Somos levados a interpretar a cor como um estímulo de valor inferior ao da percepção da forma. A evolução da tecnologia química das tintas, corantes e pigmentos tornou possível a aplicação de cores intensas e saturadas sobre qualquer superfície, mascarando a sua aparência natural. Neste sentido, surge a ideia de que a cor é algo abstrato, desvinculado da essência das coisas. Wittgenstein já ressaltava a existência de diferentes “naturezas das cores”: “parece existir o que se chama ‘cores de substâncias’ e ‘cores de superfície’. Os nossos conceitos de cor referem-se, por vezes, à substância (a neve é branca), por vezes, à superfície (esta mesa é castanha), por vezes, à iluminação (a luz avermelhada ao anoitecer), por vezes, aos corpos transparentes” (5).

Taisa busca esse elo entre cor e essência que anda esquecido na cultura ocidental. Em oposição ao nosso condicionamento à contemplação da realidade virtual nas telas planas dos aparelhos eletrônicos, a materialidade da cor atrai e prende o olhar nas suas composições. Por um lado, as cores em suas sutis tonalidades qualificam e diferenciam a matéria, e por outro, a matéria, tendo em sua composição o pigmento, confere à cor seu ar de substância.

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Taisa Nasser e Lilian Ried Miller, em frente a uma de suas obras, expostas na Galeria Des Arts – Bar des Arts – Alchemie, 26 de setembro de 2013 (Fonte: http://www.taisanasser.com.br/2013/10/galeria-des-arts-bar-des-arts-alchemie_5.html)
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Detalhe / Fonte: http://www.taisanasser.com.br/

Notas:

1 – LILIAN RIED MILLER BARROS, doutora em design e arquitetura pela Universidade de São Paulo (FAU USP) com enfoque nos usos criativos da cor, autora do livro “A cor no processo criativo” (Ed. Senac, São Paulo: 2006), hoje em sua quarta edição, e adotado como bibliografia fundamental em cursos sobre composição de cores por diversas instituições de ensino no Brasil. Professora e palestrante sobre a percepção e composição de cores em instituições e empresas, dirige o Centro de Estudos e Pesquisas sobre as Cores Universo da Cor (www.universodacor.com.br) em São Paulo, que atende profissionais nas áreas de design, arquitetura e moda. Participou do curso de especialização International Colour Design Workshop, pela NCS Colour Academy / FÄRGSKOLAN, Suécia, 2011. (Currículo Lattes)

2 – David HUBEL, Margaret LIVINGSTONE, V. S. RAMACHANDRAN.

3 – BARROS, Lilian Ried Miller. “A cor inesperada: uma reflexão sobre os usos criativos da cor”. Tese de Doutorado/ Área de concentração: Design e Arquitetura – FAU USP (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo. Orientador: Silvio Melcer Dworecki. São Paulo, 2012.

4 – BATCHELOR, David. 2000. “Chromophobia”, Reaktion Books Ltd, London.

5 – WITTGENSTEIN, Ludwig. 1977. “Anotações sobre as cores”, edição bilíngue, tradução Filipe Nogueira e Maria João Freitas, Lisboa: Edições 70 Ltda. P.115, §254-255

Sites de Taisa Nasser:
www.taisanasser.com; www.taisanasser.com.br

A cor na arte, Livros I COR

A cor no processo criativo

Já em sua 4ª edição, “A COR NO PROCESSO CRIATIVO” é um livro bastante conhecido em escolas de arte e design.

No ano de seu lançamento pela editora Senac-sp, em 2006, foi selecionado pelo Museu da Casa Brasileira para a exposição do 20° Prêmio Design na categoria trabalhos escritos.

Sinto uma grande satisfação em relação a este trabalho, principalmente quando estudantes, arquitetos, designers ou consultores de imagem me contam o quanto a sua leitura lhes foi útil e esclarecedora.

Trata-se em síntese de um livro sobre a cor que aborda os processos criativos. O texto é bastante acessível e parte de muitas imagens para falar de Goethe, da Bauhaus e seus mestres pintores.

Na época da pesquisa de mestrado, eu criei ilustrações e esquemas cromáticos para compreender e expor as teorias de Itten, Kandisnky, Klee e Albres. Acredito que este esforço para redesenhar os esquemas gráficos destes mestres da cor tenha contribuído para tornar o livro mais didático e interessante.

Voltado à atividade criativa, o livro oferece uma visão abrangente do uso das cores que não se restringe apenas aos aspectos técnicos ou físico-químicos do fenômeno cromático, nem recai no dogmatismo das superstições e preconceitos que cercam a maior parte das publicações sobre psicologia das cores.

Procurei compreender os processos de assimilação das cores pelo sistema visual humano, assim como fizeram Goethe e os mestres da cor. As teorias da Bauhaus relatadas no livro nos mostram como as relações entre as cores que caracterizam o nosso sistema visual podem ser apropriadas pela linguagem plástica para cooperar com a transmissão de sentimentos, sensações e mensagens.

Para uma apresentação mais completa do livro, transcrevo a seguir o release da primeira edição, providenciado na época do lançamento pela editora Senac-sp:

“A cor é um fenômeno que exerce fascínio, desperta interesse e deslumbramento nas pessoas. Quem trabalha com fotografia, arte, cenografia ou qualquer área da comunicação visual conhece sua importância no processo de criação e composição da imagem.

Para mostrar que o estudo das cores pode ultrapassar as abordagens intuitivas ou místicas até então realizadas no Brasil, a arquiteta e urbanista Lílian Ried Miller Barros escreveu A Cor no Processo Criativo – um estudo sobre a Bauhaus e a teoria de Goethe, lançamento da Editora Senac São Paulo para a 19ª Bienal Internacional do Livro, em 2006. A pesquisa inédita no país apresenta um diagnóstico da influência, da percepção e dos sentimentos humanos na escolha dos tons e combinações.

Fruto de uma dissertação de mestrado desenvolvida na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU – USP), o livro faz uma análise sobre a Bauhaus – famosa escola de design alemã –, que concebeu a cor como ferramenta criativa, pensando-a paralelamente ao ensino das formas. A autora reúne o pensamento de artistas que fizeram parte dessa doutrina como Paul Klee, Josef Albers, Johannes Itten e Wassily Kandinsky, mostrando suas reflexões sobre a comunicação visual e suas metodologias didáticas, que enriqueceram o ensino das artes. Os representantes da Bauhaus uniram questões subjetivas, experiências pessoais e técnicas de libertação criativa às teorias das cores.

A obra também aborda as questões relativas à percepção da cor pelo ser humano e as distorções e adaptações do nosso aparelho visual conhecidas como ilusões de ótica. Uma das premissas da didática da cor na Bauhaus era justamente trazer à tona as leis da percepção visual humana como fator determinante do conceito de harmonia cromática.

Para traduzir estas teorias, a autora desenvolveu e adaptou muitas ilustrações,  algumas inéditas, que facilitam a compreensão do leitor.

Por fim, no último capítulo, o livro investiga a Doutrina das Cores de Goethe, que abriu novas portas para o conhecimento das cores no século 18 e serviu como base para os mestres da Bauhaus e outros estudos que se seguiram. Goethe foi o primeiro a entender a cor como um fenômeno fisiológico e psicológico e não apenas físico como proposto anteriormente por Isaac Newton.”

O livro A cor no processo criativo encontra-se à venda nas maiores livrarias do país.

Valor do livro (sugerido pela editora): R$ 119,00

A cor na arte, Livros I COR

Cromofobia de David Batchelor

CromophobiaEste livro eu descobri numa viagem em 2007. Entrei numa livraria em Auckland e perguntei se havia alguma publicação recente sobre o tema da cor. Fiquei intrigada com o título. Não era bem o que eu esperava, mas resolvi comprar.

Não me arrependi. Trata-se de uma instigante crítica a repeito dos preconceitos ocidentais em relação às cores e suas mensagens, que me impressionou e influenciou significativamente na elaboração da minha pesquisa de doutorado (uma reflexão sobre os usos criativos da cor, FAU USP 2008-2012).

David Batchelor, o autor escocês que vive em Londres, além de escritor é um artista contemporâneo que explora sensações inusitadas com as cores em seus trabalhos e instalações com efeitos luminosos e transparências (veja em http://www.davidbatchelor.co.uk/).

Depois de ler o livro, é possível compreendermos melhor a sua arte, e sua “cromofilia” – termo que define aqueles que não temem a corrupção pela cor, mas, ao contrário são seus defensores e exploradores. Em seus trabalhos percebemos como ele procura questionar os padrões de interpretação da cor e da luz na leitura dos objetos. Brinca com inversões: sombras luminosas, barreiras translúcidas, cascas com a superfície escura e a substância luminosa etc.

Segue a tradução da sinopse da versão em inglês, encontrada no site da Amazon: 

“O argumento central de Chromophobia é que um impulso cromofóbico – medo de corrupção ou de contaminação através da cor – se esconde na cultura e no pensamento intelectual ocidental. Isto é evidente nas muitas e variadas tentativas  para purgar a cor, seja tratando-a como característica de um “corpo estranho” – o oriental, o feminino, o infantil, o vulgar, ou o patológico – ou relegando-a ao reino do superficial, complementar, inessencial, ou da estética.

A cromofobia foi um fenômeno cultural desde os tempos da Grécia antiga, este livro está preocupado com as formas de resistência a ela. Escritores tendem a não ultrapassar o final do século XIX. David Batchelor procura ir além dos limites de estudos anteriores, analisando as motivações por trás cromofobia e considerando o trabalho de escritores e artistas que prepararam-se em olhar para a cor como um valor positivo. Explorando uma grande variedade de abordagens do imaginário, incluindo a “grande baleia branca” de Melville , reflexões de Huxley sobre a mescalina, e “Viagem ao Oriente” de Le Corbusier, Batchelor também discute o uso da cor na arte Pop, Minimal, e manifestações artísticas mais recentes.”

Felizmente já temos uma tradução do livro para o português – Cromofobia, ed. Senac-SP, 2010 – que em breve poderá ser adquirida também através do site do Universo da Cor, acesse: publicações/cromofobia

Fica aqui a dica! Tanto para os cromofílicos, como para os cromofóbicos!